Núcleo de Modelagem do Ceti-Saúde UFG articula parcerias na USP
Encontro na Escola de Saúde Pública da USP abordou o uso de dados de vetores hematófagos e o papel da modelagem no enfrentamento de doenças emergentes
Texto: Marina Sousa
O coordenador do Núcleo de Modelagem do Ceti-Saúde UFG, José Alexandre Diniz-Filho, e o professor Thiago Rangel, integrante do centro, realizaram, em dezembro de 2025, uma visita à Escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). O encontro teve como objetivo a troca de experiências e a prospecção de parcerias institucionais na área de vigilância e modelagem de doenças.
Segundo José Alexandre Diniz-Filho, a visita buscou estabelecer estratégias para a construção, curadoria e uso de bases de dados sobre insetos hematófagos (vetores que se alimentam de sangue de outros animais, incluindo seres humanos), além de definir prioridades para a modelagem de doenças zoonóticas emergentes, como zika, chikungunya e febre amarela. Muitas dessas doenças são transmitidas por vetores como mosquitos e carrapatos, que atuam como elo entre reservatórios animais e a população humana.
O professor destaca que a modelagem pode ser orientada por diferentes recortes, como o tipo de patógeno, biomas específicos ou zonas com maior potencial de transbordamento. Fatores como o desmatamento e a perda de biodiversidade, que aumentam o contato entre humanos e animais silvestres, além das mudanças climáticas, são responsáveis por alterar a distribuição geográfica dos vetores, contribuindo para o crescimento dessas doenças. Trata-se de um desafio relevante para a saúde pública, uma vez que essas enfermidades podem causar surtos e epidemias e, em muitos casos, ainda não contam com vacinas ou tratamentos específicos. Nesse contexto, o desenvolvimento de métodos de modelagem torna-se fundamental para o planejamento e a tomada de decisão em saúde.
Diniz-Filho ressalta ainda que a iniciativa está alinhada à sua atuação no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Ecologia, Evolução e Conservação da Biodiversidade (INCT EECBio), que teve seu ciclo renovado por meio da chamada pública do CNPq, em setembro de 2025.
na Escola de Saúde Pública da USP
“A integração com o grupo de doenças emergentes, coordenado pelo professor Sérvio Pontes Ribeiro, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), no âmbito do INCT EECBio, é fundamental para discutirmos prioridades de pesquisa e fortalecer parcerias e sinergias entre os diferentes projetos. Esse diálogo é especialmente estratégico para o Núcleo de Modelagem do Ceti-Saúde, onde desenvolvemos uma série de estudos voltados a doenças emergentes e infecciosas, com o objetivo de apoiar a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás em análises, projeções e predições, incluindo a identificação de novos padrões de surtos e outros aspectos epidemiológicos relevantes. A articulação entre o INCT e o Ceti-Saúde será decisiva para qualificar nossas linhas de pesquisa e ampliar a capacidade de intervenção nessa área”, afirma Felizola-Diniz.
Também participaram da agenda os pesquisadores Gabriel Nakamura, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Raquel Carvalho, da Universidade de São Paulo (USP), que também integram o subprojeto “Perda de Biodiversidade e Riscos de Emergência de Doenças Zoonóticas, coordenado por Sérvio Pontes Ribeiro”, vinculado ao INCT EECBio.
Fonte: Assessoria de Comunicação Ceti-Saúde
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