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Revolução no tratamento de lesão medular

Em 04/02/26 10:44. Atualizada em 04/02/26 10:45.

Prof.ª Tatiana Sampaio, lidera o grupo de pesquisa da UFRJ que desenvolveu a substância capaz de estimular a regeneração neural

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgados em 2024, cerca de 15 milhões de pessoas no mundo vivem com lesão medular. A condição pode ser causada por quedas, acidentes de trânsito ou violência, e está associada a menores taxas de participação econômica e educacional, além de acarretar custos individuais e sociais consideráveis. 

Nesse cenário, o papel da ciência desenvolvida nas universidades públicas do Brasil se destaca mais uma vez. Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenada pela Professora Tatiana Sampaio e em parceria com o laboratório Cristália, desenvolveu um novo tipo de tratamento, baseado no uso de uma substância denominada polilaminina. A substância é uma rede de proteínas que se torna cada vez mais escassa no corpo, ao longo da vida, e é extraída da placenta, capaz de estimular o processo de regeneração neural, especialmente em casos de lesão medular. 

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Um estudo promissor

Durante a pesquisa, as proteínas foram extraídas da placenta e introduzidas em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos, dos quais seis recuperaram os movimentos, devido à capacidade da polilaminina de recriar a rede de conexões entre neurônios e o restante do corpo.

O estudo, iniciado em 1997, começa a apresentar uma nova perspectiva de tratamento para complicações com lesão muscular em 2026. Logo no início de janeiro, no dia 5, o ministro da Saúde Alexandre Padilha e o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Leandro Safatle, anunciaram o início do estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança do uso da polilaminina no tratamento do Trauma Raquimedular Agudo (TRM). Na ocasião, o ministro reiterou a importância dessa pesquisa: "Para nós é muito significativo, que é um produto de inovação radical, 100% nacional, numa universidade pública".

Os estudos clínicos são investigações científicas fundamentais para avaliar a segurança e eficácia de novos medicamentos, dispositivos, procedimentos ou vacinas. Após passar pela fase pré-clínica, com testes in vitro e in vivo, o desenvolvimento continua em fases progressivas. 

Com a autorização concedida pela Anvisa, o estudo clínico da polilaminina será realizado em cinco pacientes voluntários, entre 18 e 72 anos, portadores de lesões agudas completas da medula espinhal torácica entre as vértebras T2 e T10, com indicação cirúrgica ocorrida há menos de 72 horas da lesão. 

A pesquisa com essa substância busca avaliar a segurança da aplicação do medicamento e identificar possíveis riscos para a continuidade do desenvolvimento clínico, ao coletar, monitorar e avaliar todos os eventos adversos, inclusive os não graves, garantindo a segurança dos participantes. 

Durante o desenvolvimento do estudo, o Ministério da Saúde investiu recursos para a pesquisa básica, construindo uma base científica sólida antes de qualquer aplicação em seres humanos. 

Este é um grande marco no avanço regulatório e científico do Brasil, pois possibilita o desenvolvimento inédito de uma terapia para o tratamento de pacientes com lesões na medula espinhal, com o objetivo de ampliar o acesso, assistência e a pesquisa clínica ao Sistema Único de Saúde (SUS). 

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Entusiasta da ciência e da vida    

Tatiana Coelho de Sampaio é professora da UFRJ, doutora em Ciências Biológicas e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Após 25 anos de pesquisa baseada na laminina, proteína extraída da placenta, capaz de modular células e reorganizar tecidos do sistema nervoso, a pesquisadora é responsável por coordenar o estudo promissor que pode transformar o tratamento de lesões medulares. 

Seu currículo conta com dois estágios de pós-doutorado: um em imunoquímica, na Universidade de Illinois (EUA) e outro em inibidores de angiogênese na Universidade de Erlangen-Nuremberg (Alemanha). Sua formação original é em Bioquímica e Química de Proteínas, particularmente com estudos estruturais de proteínas da matriz extracelular e fatores de crescimento. 

Apesar de ter dedicado a vida aos estudos, com o desejo pulsante de ser cientista desde criança, Tatiana rejeita a figura convencional de intelectual ou cientista que vive dentro do laboratório. Como uma legitima carioca celebra a vida boêmia nos bares do Rio de Janeiro: “Tenho pouco tempo livre, então sempre vou pro samba tomar cerveja. Eu gosto de rua, de gente, de sair com meus amigos”, contou em entrevista. 

 

 

Fonte: Assessoria de Comunicação Ceti-Saúde UFG

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