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Evolução genética do coronavírus ajuda a explicar os rumos da pandemia de Covid-19 em Goiás

In 28/04/26 12:11 . Aggiornato alle 28/04/26 14:41 .

Pesquisa do Ceti-Saúde UFG rastreia quase 9 mil genomas virais e mostra que vacinas foram decisivas para atenuar o impacto das variantes mais letais

Texto: Marina Sousa e Ana Laura de Sene Amâncio Zara
Diagramação: Marina Sousa

Uma equipe  de pesquisadores liderada pelo Prof. José Alexandre Diniz-Filho, coordenador do Núcleo de Modelagem do Centro de Excelência em Tecnologia e Inovação em Saúde (Ceti-Saúde) da Universidade Federal de Goiás (UFG), examinou quase 9.000 genomas do SARS-CoV-2 coletados no estado entre 2020 e 2024. O objetivo era compreender como as mudanças genéticas do vírus e o surgimento de novas variantes influenciaram o número de casos e mortes por Covid-19 em Goiás, não apenas rastreando as variantes já catalogadas, mas acompanhando de forma contínua a diversidade genética do vírus mês a mês.

A abordagem que diferencia o estudo é: Em vez de observar somente as "variantes de interesse" amplamente conhecidas, a equipe utilizou análises evolutivas para capturar qualquer transformação relevante no material genético viral, mesmo antes de ela ganhar nome oficial.

Os três grandes momentos de mudança

A análise identificou três períodos de transformação genética acelerada. O primeiro ocorreu no início de 2021 e corresponde à chegada da variante Gama ao estado, provocando aumento expressivo de casos e óbitos. O segundo, no final de 2021, marcou a entrada da Ômicron, responsável pelo maior salto genético já observado no estudo, que se espalhou rapidamente por sua altíssima transmissibilidade. O terceiro pico ocorreu no final de 2023 e, embora não estivesse associado a uma nova variante de preocupação, demonstrou que o vírus continuava evoluindo mesmo em fases mais estáveis da pandemia.

"Esse estudo ajuda a compreender como o vírus da Covid-19 evoluiu em Goiás e destaca a importância de manter sistemas de vigilância eficientes, mostrando como o trabalho conjunto entre ciência, monitoramento constante e vacinação podem reduzir danos e salvar vidas."explica o  Prof. Dr. José Alexandre Diniz-Filho, que também é docente do Instituto de Ciências Biológicas da UFG.

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O papel das vacinas

Entre todas as variantes, a Ômicron se destacou como a mais distante geneticamente das versões anteriores do vírus, o que explica sua capacidade de escapar parcialmente da imunidade adquirida. Apesar do enorme número de infecções que provocou, o impacto em hospitalizações e mortes foi significativamente menor do que em períodos anteriores. A explicação reside na conjuntura imunológica do momento: quando a Ômicron emergiu, a campanha de vacinação já havia alcançado parcela significativa da população goiana, somando-se à imunidade adquirida por infecções anteriores. Esse contexto de proteção acumulada amorteceu o potencial destrutivo da variante, e o estudo transforma essa observação em evidência científica, demonstrando de forma mensurável como a vacinação alterou a relação entre transmissão e gravidade da doença.

Desigualdade geográfica na disseminação

O vírus não se espalhou de maneira uniforme pelo território goiano. Ele seguiu a geografia humana. Regiões de menor densidade populacional registraram também menor diversidade genética viral, o que sugere circulação mais restrita e menos oportunidades de mutação. Em contraste, Goiânia e seu entorno metropolitano atuaram como  "portas de entrada" e redistribuição das variantes, refletindo o peso da mobilidade urbana na dinâmica epidemiológica. O dado não é apenas descritivo: ele aponta que ignorar a estrutura demográfica e os fluxos de deslocamento no desenho de políticas de vigilância é desperdiçar informação essencial para entender, e conter, a propagação do vírus.

O que o estudo evidencia, em última análise, é que a genômica deixou de ser um recurso auxiliar para se tornar um instrumento de inteligência epidemiológica. Rastrear a evolução do vírus em tempo real não apenas descreve o que aconteceu, mas permite antecipar o que está por vir, oferecendo às autoridades de saúde uma janela de antecipação antes que novas ondas se consolidem. Nesse sentido, a pesquisa do Núcleo de Modelagem do Ceti-Saúde, coordenado por Diniz-Filho, vai além do diagnóstico retrospectivo: ela propõe um modelo de vigilância contínua como componente estrutural da gestão pública em saúde, colocando Goiás na fronteira de uma abordagem que ancora decisões políticas em evidência científica robusta. A pesquisa também contou com o apoio do INCT - Ecologia, Evolução e Conservação da Biodiversidade.

Artigo: Temporal dynamics of SARS-CoV-2 phylogenetic diversity in Central Brazil reveals evolutionary shifts among variants of concern during the pandemic


Diniz-Filho JAF, Nunes R, Targueta CP, Ferreira RSB, Melo-Ximenes A, Dias RO, de Curcio JS, Melo e Silva D, Dias e Souza MBL, Fiaccadori FS, Lacerda EPS, Toscano CM, Rangel TF and Telles MPC (2025). Temporal dynamics of SARS-CoV-2 phylogenetic diversity in Central Brazil reveals evolutionary shifts among variants of concern during the pandemic. Front. Microbiol. 16:1639187. doi: 10.3389/fmicb.2025.1639187.


Link do site (Frontiers): https://www.frontiersin.org/journals/microbiology/articles/10.3389/fmicb.2025.1639187/full


Fonte: Assessoria de Comunicação Ceti-Saúde UFG

Categorie: Notícias