Efeito do congelamento de verbas para combater o HIV
A instabilidade no financiamento internacional de saúde tem consequências devastadoras e reais.
Arte: Luísa Araújo
Texto: Ana Laura de Sene Amancio Zara
Um estudo recente publicado na revista The Lancet Regional Health – Africa mostrou o impacto imediato do congelamento de verbas do PEPFAR, o programa de ajuda dos EUA contra a aids, desde janeiro de 2025.
Os resultados mostram que, na província de KwaZulu-Natal, na África do Sul, cerca de 40% das unidades de saúde sofreram com a suspensão de algum tipo de serviço, afetando diretamente mais de 800 mil pessoas que vivem com HIV.
Esse corte de recursos também provocou demissões em massa de profissionais essenciais na ponta do atendimento, como agentes comunitários de saúde, além de gerar atrasos na entrega do tratamento antirretroviral (ARV) e aumento no tempo de espera das clínicas.
A interrupção de verbas ameaça paralisar as ações de prevenção e monitoramento de pacientes em larga escala. Esse cenário local reflete uma grave crise global, detalhada no relatório mais recente do Unaids.
O programa das Nações Unidas alerta que a meta de acabar com a doença como ameaça à saúde pública até 2030 está seriamente ameaçada — e há chances reais de um ressurgimento da epidemia global.
O financiamento internacional específico para o enfrentamento ao HIV/aids recuou de US$ 8,8 bilhões para US$ 7,3 bilhões, atingindo o menor nível em quase duas décadas.
O impacto disso é alarmante:
• Em 2025, o mundo registrou 1,2 milhão de novas infecções.
• Cerca de 20% das 41 milhões de pessoas vivendo com HIV no planeta continuam sem acesso ao tratamento.
A ciência já entregou as ferramentas. O desafio agora é sustentar o financiamento, manter a solidariedade internacional e garantir a proteção aos direitos humanos.

*Luísa Araújo é bolsista de design gráfico do Ceti-Saúde UFG e é supervisionada pelo designer Mailson Diaz.
Fonte: Assessoria de Comunicação Ceti-Saúde UFG
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