oms

Diretora do Ceti-Saúde participa de reunião do SAGE, comitê de especialistas em imunização da OMS

On 10/15/26 15:21 . Updated at 10/15/26 17:23 .

Grupo recomendou, entre outras questões, a possibilidade da ampliação da vacinação contra HPV em meninas a partir dos 4 anos

Texto: Isis Borges

A diretora do Ceti-Saúde UFG, Cristiana Toscano, participou, entre os dias 5 e 8 de outubro, da reunião do Strategic Advisory Group of Experts on Immunization (SAGE), grupo estratégico de especialistas em imunização da Organização Mundial da Saúde (OMS). O encontro reuniu especialistas de diferentes regiões do mundo para discutir evidências científicas e formular recomendações relacionadas à vacinação e à prevenção de doenças de impacto global. 

Entre as principais recomendações estão a possibilidade de vacinar meninas a partir dos 4 anos contra HPV, com o objetivo de ampliar a adesão (veja mais detalhes abaixo). A infecção pelo papilomavírus humano é a principal causa de câncer de colo de útero, doença que provocou 280 mil mortes em 2024.

Para Cristiana Toscano, a participação no SAGE evidencia a importância da articulação internacional entre diferentes áreas do conhecimento para a construção de estratégias de saúde pública. “Este é um grande exemplo de um processo colaborativo e baseado em evidências, que fortalece a interface entre ciência, pesquisa, políticas de saúde e a implementação operacional de programas de saúde pública nos âmbitos local, regional e global”, afirma.

A especialista integra o SAGE há três anos e participou, ao longo da semana, de discussões sobre novas estratégias, tecnologias e desafios para ampliar o impacto da imunização. A programação foi organizada em sessões voltadas à análise de evidências epidemiológicas, estudos científicos, estratégias de vacinação e recomendações para diferentes contextos de saúde pública.

SAGE

Principais recomendações do SAGE

Com o encerramento do encontro, a OMS divulgou um resumo das discussões, cujo texto com as resoluções definitivas será publicado no Weekly Epidemiological Record em 18 de dezembro de 2026. Até lá, as principais conclusões do encontro foram: 

  • HPV: o esquema de dose única é a estratégia mais eficiente para a prevenção do câncer do colo do útero em meninas de 9 a 14 anos. No entanto, os países podem considerar vacinar meninas de 4 a 8 anos, se isso ampliar a adesão. A ampliação do público-alvo pode ocorrer de forma sequencial, começando pela busca de mulheres até 25 anos que não foram vacinadas e, depois, as de até 30 anos. Em seguida, deve ser priorizada a vacinação de rotina de meninos de 9 a 14 anos e a repescagem no grupo de homens até 20 anos. Em cada país, outros fatores podem guiar a priorização dos meninos, como critérios locais e a viabilidade operacional. Pessoas imunocomprometidas devem continuar recebendo ao menos duas doses, e as gravemente imunocomprometidas, três.
  • Programas de imunização e financiamento: o grupo alertou que decisões baseadas em evidências enfrentam ameaças como a fragmentação geopolítica, a desinformação e a queda da confiança pública. Apesar dos avanços, o alto número de crianças que nunca receberam nenhuma dose, o abandono do esquema vacinal e a cobertura desigual ameaçam as metas da Agenda de Imunização 2030. Além disso, diante do déficit de financiamento da Gavi, a Aliança Global de Vacinas, o SAGE recomendou priorizar a manutenção dos programas já existentes e garantir recursos adequados para os grupos técnicos assessores nacionais de imunização (National Immunization Technical Advisory Group).
  • Ebola (vírus Bundibugyo): o SAGE manifestou preocupação com o grande número de mortes na República Democrática do Congo , sobretudo entre crianças pequenas, e com o impacto da insegurança e dos deslocamentos populacionais. O grupo saudou o desenvolvimento acelerado de vacinas específicas e a realização de um  ensaio clínico que permite testar múltiplos candidatos a vacina.  O grupo também fez um alerta sobre a vacina já em uso contra o ebola causado pelo vírus da espécie Zaire: ainda não existem evidências de que ela também ofereça boa proteção contra o Bundibugyo. 
  • Febre amarela: a dose fracionada (um quinto da dose padrão) pode continuar a ser usada em respostas a surtos para pessoas a partir de 2 anos. Em campanhas preventivas, pode ser empregada entre 2 e 59 anos quando limitações de suprimento, financeiras ou programáticas dificultarem a vacinação. Na rotina e no resgate vacinal de crianças, deve-se usar a dose padrão.
  • Mpox: em surtos, a recomendação é vacinar de forma direcionada as pessoas em risco nas comunidades afetadas, incluindo crianças, pessoas expostas por redes sexuais, indivíduos que entraram em contato com outros infectados e profissionais de saúde com exposição repetida. Contudo, o SAGE ressalta que mais pesquisas são necessárias para subsidiar futuras orientações. As pesquisas prioritárias devem se concentrar na epidemiologia e na dinâmica de transmissão da doença em crianças; na carga e na gravidade da doença por faixa etária; na efetividade e na segurança da vacina em populações pediátricas; na duração da proteção induzida pela vacina; e na segurança e na imunogenicidade da coadministração com outras vacinas infantis de rotina.
  • Difteria: o SAGE manifestou preocupação com o ressurgimento de surtos, principalmente nas regiões da África e do Mediterrâneo Oriental, e enfatizou a necessidade de ampliar a cobertura vacinal e de introduzir e ampliar doses de reforço. Outra recomendação foi a adoção de campanhas de vacinação em resposta a surtos, para fechar rapidamente as lacunas de imunidade e reduzir a carga da doença.
  • Poliomielite: o grupo manifestou séria preocupação com a transmissão contínua do poliovírus selvagem tipo 1 no Afeganistão e no Paquistão e dos poliovírus derivados da vacina tipo 2 na África, com número de casos em 2026 superior ao do mesmo período de 2025. O SAGE reafirmou a importância de avançar para a interrupção segura do uso da vacina oral bivalente na rotina, ainda que o cronograma possa ser adiado. Também recomendou que os países que aplicam menos de três doses da vacina inativada (VIP) migrem sem demora para o esquema de três doses, aos 6, 10 e 14 semanas de vida.

Essas recomendações foram definidas com o acompanhamento e participação, em sessões públicas, de mais de 700 pessoas do mundo inteiro, reforçando a inserção do Ceti-Saúde em espaços internacionais de discussão e formulação de estratégias voltadas à promoção da saúde e ao enfrentamento de desafios em saúde pública.

Source: Assessoria de Comunicação Ceti-Saúde UFG

Categories: NOTÍCIAS Noticias