1

Vacina também previne câncer? Ceti-Saúde destaca novidades do Outubro Rosa

在 27/10/26 16:07 上。 已在 28/10/26 08:54 更新。

Pesquisadoras da UFG que ajudaram a construir novas regras do SUS explicam por que o Outubro Rosa de 2026 também é mês de vacinar, inclusive adultos

foto

Texto: Mário Manzi

Na reta final do Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre os cânceres de mama e de colo do útero, dois dos tipos mais frequentes entre as brasileiras, o Ceti-Saúde ressalta a ação de imunizantes que atuam de forma preventiva a esta condição clínica. No mesmo mês também é celebrado o Dia Nacional da Vacinação, em 17 de outubro. O encontro das datas reforça uma mensagem ainda pouco conhecida, o de que algumas vacinas, como a contra o HPV, ajudam a prevenir o câncer.

Em 2026, o mês trouxe novidades, devido à implementação, pelo SUS, do teste de DNA-HPV oncogênico para o rastreamento do câncer do colo do útero, que possui esquema de prevenção também por meio da vacina contra o HPV. 

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar, a cada ano entre 2026 e 2028, cerca de 78,6 mil casos novos de câncer de mama, 19,3 mil de colo do útero e 17,2 mil de cavidade oral, categoria que inclui lábios, boca e parte da garganta.

O que mudou no exame preventivo do colo do útero

As novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13/2025) orientam a substituição gradual do Papanicolau pelo teste de DNA-HPV oncogênico, incorporado ao SUS em 2024. 

O Papanicolau procura alterações nas células. Já o teste molecular detecta o material genético dos tipos de HPV com potencial de causar câncer, entre eles o 16 e o 18. Um resultado positivo não significa câncer, mas indica uma infecção que precisa ser acompanhada.

  • Quem deve fazer: mulheres e pessoas com útero de 25 a 64 anos que já iniciaram a vida sexual e não têm sintomas, mesmo as vacinadas. Em caso de sangramento fora da menstruação ou após a relação sexual, é preciso procurar atendimento médico.
  • Frequência: após resultado negativo, o exame deve ser repetido em cinco anos.
  • Coleta: a coleta por profissional de saúde é prioritária. A autocoleta vaginal amplia o acesso, especialmente em situações de vulnerabilidade.
  • Transição: onde o teste ainda não chegou, o Papanicolau continua sendo feito.

As professoras Rita Goreti Amaral, da Faculdade de Farmácia (FF/UFG), e Rosane Ribeiro Figueiredo Alves, da Faculdade de Medicina (FM/UFG), participaram da elaboração das diretrizes como painelistas.

“A mudança vai além da incorporação de um novo teste. É preciso identificar e convidar as mulheres da faixa etária recomendada, especialmente aquelas nunca rastreadas ou com dificuldades de acesso, e garantir o acompanhamento dos casos positivos”, afirma Rita Goreti Amaral.

Por que a vacina contra o HPV é uma vacina contra o câncer

A vacina protege contra os tipos de HPV que podem causar o câncer. No SUS, a imunização é gratuita e aplicada em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Até 31 de dezembro de 2026, jovens de 15 a 19 anos ainda não vacinados também podem se vacinar. Pessoas vivendo com HIV, transplantadas, em tratamento contra o câncer ou usuárias de PrEP recebem três doses.

O que o HPV tem a ver com o câncer de boca

Na boca, os principais fatores de risco são o cigarro, o consumo abusivo de álcool e a exposição dos lábios ao sol. O câncer causado pelo HPV além de afetar a região do colo do útero, também pode acometer a orofaringe, parte da garganta onde estão as amígdalas e a base da língua. Por isso, a vacina também é uma aliada contra os tumores dessa região, e o diagnóstico precoce continua decisivo em todos os casos.

Em Goiás, o Programa de Matriciamento e Rastreamento do Câncer de Boca (SobreVidas - Câncer de Boca) é liderado pelo Centro Goiano de Doenças da Boca da Faculdade de Odontologia da UFG, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde. A coordenação é da professora titular Rejane Faria Ribeiro-Rotta.

O programa capacita equipes da atenção primária para identificar e cadastrar pessoas de alto risco em uma plataforma digital desenvolvida na UFG. O grupo de risco inclui homens com 50 anos ou mais, fumantes ou ex-fumantes, pessoas com histórico de uso abusivo de álcool e qualquer pessoa com ferida na boca que não cicatriza há mais de 15 dias. A plataforma é integrada aos sistemas do SUS e usa inteligência artificial para organizar o acompanhamento periódico e a teleconsultoria com especialistas. O tempo médio entre diagnóstico e tratamento foi de 20 dias. Em 14 de abril de 2026, a Comissão Intergestores Bipartite aprovou a expansão do programa para todos os municípios goianos.

“O câncer de boca descoberto no início tem alta chance de cura, mas a maioria dos casos chega ao tratamento em estágio avançado. Levar o rastreamento a todo o estado é levar o diagnóstico precoce para perto de quem mais precisa.”, destaca Ribeiro-Rotta.

Vacina também é coisa de adulto

O Ceti-Saúde reforça que a caderneta não se encerra na infância. A vacina contra a hepatite B, oferecida pelo SUS para todas as idades, também previne o câncer, já que a infecção crônica pelo vírus é uma das principais causas de câncer de fígado.

“Hoje temos vacinas que previnem câncer, como as contra o HPV e a hepatite B, disponíveis gratuitamente no SUS. Deixar de usá-las é abrir mão de uma das ferramentas de prevenção mais eficazes que a ciência já produziu”, ressalta a coordenadora do Ceti-Saúde, Cristiana Toscano.

O calendário do adulto inclui ainda as vacinas contra difteria e tétano, febre amarela, sarampo, caxumba e rubéola, além de influenza e covid-19 para os grupos indicados. A situação vacinal pode ser consultada no aplicativo Meu SUS Digital ou em qualquer unidade básica de saúde.

资源: Assessoria de Comunicação Ceti-Saúde UFG

类别: notícias Noticias